Paciente com câncer e sequelas de AVC denuncia negativa de transporte do TFD e perde exame em Vitória da Conquista

Foto: Luciano Santos | 97News

Uma moradora da comunidade Fazenda Estoque, na zona rural de Brumado, denunciou à Rádio Portal Sudoeste o que classificou como falta de sensibilidade e descaso no atendimento prestado pelo setor de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) do município. Segundo o relato, o esposo dela, o paciente oncológico Joilson Leite Alves, de 58 anos, perdeu um exame médico agendado em Vitória da Conquista após não conseguir o transporte disponibilizado pelo serviço.

De acordo com Sivanilza Alves, Joilson luta contra um câncer desde 2012 e, em janeiro deste ano, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixou diversas sequelas. Ela afirma que o marido apresenta dormência, formigamentos, dificuldades na fala e na mobilidade, além de conviver com diabetes, colesterol elevado, gordura no fígado, problemas na vesícula e utilizar bolsa de colostomia.

Ainda conforme a esposa, diante da demora para conseguir a realização de exames especializados, a família recorreu à Defensoria Pública, que obteve uma decisão liminar determinando que o Estado da Bahia realizasse o procedimento. O exame foi agendado para a última quinta-feira (30), em Vitória da Conquista.

No entanto, segundo Sivanilza, a maior dificuldade passou a ser garantir o transporte oferecido pelo TFD de Brumado.

“Desde segunda-feira tentei agendar esse transporte. Moro a 33 quilômetros da cidade e precisei conseguir caronas para ir até o TFD. Primeiro pediram um relatório atualizado. Voltei até a Unidade Básica de Saúde, consegui um novo documento e retornei novamente com meu esposo. Mesmo assim, disseram que ele não precisava do transporte”, relatou.

A denunciante afirma que a coordenadora do setor teria avaliado visualmente o paciente e concluído que ele “não tinha problema nenhum”, orientando que o casal utilizasse um táxi da comunidade até Brumado e, depois, um ônibus intermunicipal para Vitória da Conquista.

Segundo Sivanilza, a recomendação ignorou as limitações físicas do marido, que não pode dirigir em razão das sequelas do AVC e necessita de cuidados especiais durante os deslocamentos.

Além da negativa do transporte, ela relata ter sido tratada de forma desrespeitosa durante o atendimento.

“Ela olhou para meu marido e disse que ele estava perfeito. Quando ele tentou explicar nossa situação financeira, mandou que ele calasse a boca várias vezes. Nós fomos tratados como lixo. Enquanto conversávamos, ela permanecia no celular e dizia que o médico não iria comparecer ao TFD, mesmo havendo uma liminar da Defensoria Pública”, afirmou.

Segundo a esposa, a ausência do transporte fez com que o paciente perdesse o exame, comprometendo a continuidade do tratamento oncológico.

“É uma humilhação. Não temos condições de pagar transporte particular para outra cidade. Meu marido precisa de acompanhamento médico e foi tratado sem qualquer respeito. Fico indignada ao ver um paciente debilitado passar por esse tipo de situação”, desabafou.

O caso levanta questionamentos sobre os critérios adotados pelo Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para concessão de transporte a pacientes com doenças graves e limitações físicas, além da qualidade do atendimento prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Prefeitura de Brumado, a Secretaria Municipal de Saúde e a coordenação do TFD ainda não se manifestaram sobre a denúncia. O espaço permanece aberto para que os órgãos apresentem esclarecimentos ou a sua versão dos fatos.

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