Uma declaração da presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos (PSD), sobre o deputado federal Charles Fernandes (PSD) voltou a repercutir no cenário político regional. Em abril deste ano, Ivana descartou qualquer possibilidade de reaproximação política com o parlamentar e foi enfática ao justificar sua posição: “Marcho com quem foi correto. Ele não foi leal.”
A declaração ganha novo peso diante dos episódios que marcaram a trajetória recente de Charles dentro do próprio PSD.
O rompimento entre Ivana e Charles ficou mais evidente durante as articulações para as eleições municipais de 2024 em Guanambi. Depois de desistir de disputar a prefeitura, Charles participou da construção da pré-candidatura do empresário Rodrigo Boa Sorte pelo PSD. Boa Sorte chegou a ser lançado com a participação de Ivana e do próprio Charles.
Meses depois, porém, a pré-candidatura entrou em crise. Rodrigo desistiu da disputa e reportagens da época apontaram um racha entre Ivana e Charles. Ivana chegou a publicar uma manifestação falando em *“falta de lealdade de alguns”* dentro da legenda.
Em abril de 2026, ao ser perguntada diretamente sobre uma possível reconciliação com Charles, Ivana tornou pública a dimensão do rompimento. Além de afirmar que não pretendia retomar a relação política, declarou que não pediria votos para o deputado em Guanambi.
Novo desgaste dentro do próprio PSD
Poucas semanas depois da declaração de Ivana, Charles se envolveu em outro episódio de forte repercussão dentro do PSD.
Após Otto Alencar Filho deixar a Câmara dos Deputados para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado da Bahia, Charles assumiu o mandato como suplente. Segundo reportagem do Bahia Notícias, ele solicitou acesso ao Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) e foram feitas alterações nos destinos de emendas que haviam sido indicadas por Otto Filho para o Orçamento de 2026. Os recursos envolvidos somavam R$ 40,2 milhões.
Otto Filho questionou judicialmente as mudanças, alegando que elas ocorreram sem seu conhecimento. O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, e o ministro Benedito Gonçalves determinou, em decisão liminar, a suspensão das alterações, liberações e pagamentos relacionados às emendas.
Na decisão preliminar, o ministro entendeu que a previsão da Lei de Diretrizes Orçamentárias que permite ao parlamentar substituto administrar emendas do titular não se aplicaria àquela situação, uma vez que Otto Filho deixou o mandato por renúncia para assumir o TCE, e não em razão de cassação ou decisão judicial ou legislativa que implicasse perda do mandato.
Charles contestou a forma como o episódio foi apresentado. Sua assessoria afirmou que a ação não havia sido ajuizada diretamente contra ele e declarou que os fatos seriam esclarecidos.
O episódio ampliou o desgaste político envolvendo Charles dentro da própria legenda e passou a ser lembrado ao lado das divergências anteriores em Guanambi.
Meses antes, quando Ivana Bastos afirmou que Charles Fernandes “não foi leal”, a declaração parecia traduzir uma disputa essencialmente local. Com os acontecimentos posteriores envolvendo as emendas originalmente destinadas por Otto Filho, a frase passou a ser novamente lembrada no ambiente político baiano.
Agora, às vésperas das eleições de 2026, a relação de Charles com antigas lideranças e aliados do próprio PSD volta ao centro das discussões políticas em Guanambi e na região.
