A proposta de transposição do Rio Brumado, incluída no Novo PAC, tem gerado preocupação após análise técnica apontar risco de colapso hídrico na região.
De acordo com os dados mais recentes, em fevereiro de 2026, a Barragem Luiz Vieira operava com apenas 34,99% da capacidade. O percentual evidencia que o reservatório não dispõe de volume excedente para transferência sem comprometer o abastecimento já existente.
Em 2025, o cenário foi ainda mais crítico: o volume caiu de 40,2% em abril para 22,6% em novembro. Historicamente, o reservatório passou 14 anos sem atingir sua capacidade máxima, o que ocorreu apenas em 2022. Especialistas alertam que retirar água de um manancial com dificuldades crônicas de recarga pode agravar o déficit hídrico.
Destino da transposição e histórico da Barragem do Riacho do Paulo
O projeto prevê o envio de água para a Barragem do Riacho do Paulo, em Dom Basílio, com capacidade superior a 53 milhões de metros cúbicos. Atualmente, o sistema já depende de liberações da Luiz Vieira para atender demandas de irrigação e abastecimento humano.
Há ainda o registro histórico de que a construção da barragem, nos anos 1990, enfrentou dificuldades por falta de suporte hídrico suficiente, o que comprometeu sua plena funcionalidade ao longo dos anos.
Entre os principais pontos de alerta sobre a transposição do Rio Brumado estão:
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Déficit de recarga: se o rio não consegue manter a Luiz Vieira cheia, há dúvidas sobre a capacidade de sustentar outro reservatório de grande porte.
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Conflito de usos: produtores rurais de Livramento de Nossa Senhora podem ser impactados caso haja redução no volume disponível para irrigação.
Alternativas e necessidade de estudos técnicos
Especialistas defendem que a inclusão da obra no Novo PAC assegura recursos financeiros, mas não resolve a limitação física da bacia. Sem estudos hidrológicos que comprovem vazão excedente no Rio Brumado, a transposição pode não garantir a segurança hídrica prometida.
Como alternativa, técnicos apontam a necessidade de buscar “água nova” em fontes com maior volume, como o Rio São Francisco ou o Rio das Contas, por meio de sistemas adutores.
O posicionamento não se coloca contra investimentos na região, mas questiona a viabilidade hídrica da fonte escolhida. Para especialistas, qualquer decisão sobre a transposição do Rio Brumado deve ser baseada em dados técnicos consolidados, garantindo equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.
