Justiça Eleitoral autoriza inquérito para investigar prefeito de Rio de Contas por suspeita de irregularidades eleitorais

Foto: Reprodução

A Justiça Eleitoral autorizou a abertura de um inquérito policial para investigar o prefeito de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, Célio Evangelista da Silva (PSD), conhecido como Vaqueiro, por suspeita de falsidade ideológica eleitoral e possíveis irregularidades em contratos públicos.

A decisão foi proferida pelo relator Mauricio Kertzman Szporer, do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). O pedido de investigação foi apresentado pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), que apontou indícios de omissão de despesas durante a campanha eleitoral de 2024, além de possíveis irregularidades em contratações realizadas posteriormente pela Prefeitura de Rio de Contas.

De acordo com a decisão judicial, há suspeita de que estruturas de palco, som, iluminação e painéis de LED utilizadas em eventos de pré-campanha, na campanha eleitoral e também na festa de vitória do então candidato tenham sido fornecidas sem a devida declaração na prestação de contas.

Nos registros oficiais apresentados à Justiça Eleitoral consta o pagamento de apenas R$ 11.180 à empresa responsável pela estrutura dos eventos. No entanto, segundo os indícios apontados no processo, o valor seria incompatível com o porte das estruturas utilizadas nas atividades de campanha.

A investigação também deve apurar a possibilidade de financiamento irregular de campanha, conhecido como “caixa dois”, além de eventual favorecimento das empresas envolvidas em contratações públicas após a posse do prefeito.

Segundo documentos encaminhados ao TRE-BA, algumas das empresas investigadas teriam sido contratadas posteriormente pela Prefeitura de Rio de Contas para prestar serviços relacionados à realização de eventos e festividades do município, incluindo o Carnaval de 2025. Em um dos contratos citados no processo, o valor para locação de estrutura de eventos chegou a R$ 62 mil, além de outros contratos que somariam quantias mais elevadas.

Outro ponto destacado na decisão judicial é a suspeita de que uma das empresas envolvidas possa ter ligação com um ex-prefeito do município que teria sido condenado por improbidade administrativa e estaria impedido de contratar com o poder público.

Para o relator do caso, os elementos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral indicam a necessidade de aprofundamento das investigações para esclarecer os fatos. Segundo ele, a existência de indícios de irregularidades justifica a abertura do inquérito policial.

Com a autorização da Justiça Eleitoral, uma cópia integral do processo será encaminhada à Polícia Federal na Bahia, que ficará responsável pelas diligências investigatórias, incluindo coleta de documentos, depoimentos de testemunhas e oitiva dos envolvidos.

A reportagem tentou contato com o prefeito Célio Evangelista, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Caso haja manifestação, o espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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